Blog Tecmedia

(1998) – O dinheiro acabou e o fusca estava “se acabando” também

O título é só para chamar a atenção, afinal de contas, não estou contando a história da Tecmedia para ficar reclamando das coisas que aconteceram.

Muito pelo contrário: quero compartilhar todas as passagens importantes nestes quase 12 anos de história e mostrar que é preciso muito mais do que dinheiro para fazer uma empresa crescer.

Um dia desses, li uma frase muito legal: “Tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro”

Bom, nesta época (cerca de 18 meses após a abertura da empresa), estávamos trabalhando para alguns clientes, mas as contas a pagar eram em maior número que as contas a receber.

Um belo dia, recebi um telefonema de um amigo meu da faculdade, dizendo que a Eliane Revestimentos Cerâmicos, de Cocal do Sul, a maior empresa cerâmica do Brasil, estava precisando de um profissional que conhecesse internet. Essa era, basicamente, a descrição da vaga.

Esse meu amigo, sabendo das nossas dificuldades, sugeriu que eu entrasse em contato para obter mais informações.

Pensei um pouco e decidi ir atrás para ver do que se tratava. Revisei meu currículo, colocando tudo que eu havia feito na Tecmedia durante aquele período de 1 ano e meio: servidores web, Html, Javascript, FrontPage, VDO vídeo, Flash, PWS, PhotoShop, Corel, Gif Animator, E-mail, FTP, Hospedagem, Delphi e outras coisinhas.

Como o meu fusca estava “pifado”, tive que pedir um carro emprestado para ir de Tubarão até Cocal do Sul para entregar o meu currículo. Minha tia, Maria Picker Cachoeira, apoiadora incondicional da minha carreira profissional, emprestou o carro e até foi junto comigo até à Eliane.

Chegando lá, procurei o departamento de RH, falei com o responsável e disse a ele que eu gostaria de entregar o meu currículo para a vaga do “profissional de internet” que eles divulgaram.

Para minha surpresa, fui informado que a vaga já havia sido preenchida. Mesmo assim, ele sugeriu que eu deixasse o currículo para uma outra oportunidade. Como não tinha nada a perder, foi o que eu fiz.

Para minha surpresa maior ainda, ao chegar de volta a Tubarão, o Erlon disse que tinham acabado de ligar da Eliane Revestimentos Cerâmicos querendo falar comigo. Retornei a ligação e fui informado que o gerente de TI da empresa olhou o meu currículo e gostaria de conversar pessoalmente comigo.

Marcamos um dia e fui até à Eliane, conversei com o Júlio, na época gerente de TI da Eliane e meu amigo até hoje. Ele explicou que a vaga tinha sido uma solicitação do diretor presidente da empresa, sr. Adriano Lima, e que seria uma função estratégica direcionada para internet. Falei da minha experiência (razoável para época), comentei sobre as dificuldades em manter a empresa e, no final do papo, fechamos negócio. Ou seja, eu começaria a trabalhar em período integral na Eliane Revestimentos Cerâmicos. Pedi um prazo para acertar os detalhes relacionados à empresa.

Detalhe: fiquei sabendo, depois, que havia 31 currículos de profissionais interessados nesta vaga, do Brasil inteiro.

5 dias depois recebi novo contato da Eliane, agora através da pessoa do sr. Leonardo, gerente do departamento de marketing. Fui novamente até Cocal, conversei com ele e acertamos que eu iria trabalhar no departamento de marketing, ao invés da TI, como acertado inicialmente, e que faríamos o período de experiência através da Tecmedia. Ou seja, eu trabalharia em tempo integral na Eliane, mas continuaria mantendo a empresa para emissão de nota fiscal de prestação de serviços.

Após 2 semanas, comecei a trabalhar lá.

(1998) – O primeiro “grande” projeto

Já que o Ricardo tocou no assunto através de um comentário no post anterior, vou falar um pouco mais sobre o Planeta Sul.

A idéia surgiu quando nós, da Tecmedia, conversávamos com o Mukira (citado pelo Ricardo) em meados de 1998.

A partir daí, começamos a estruturar o sistema. Era pra ser um portal de informações da cidade de Tubarão e, posteriormente, da região sul, por isso o nome de Planeta Sul.

Iniciamos o desenvolvimento do site, na época, com linguagem estática (html puro). Em paralelo, eu e o Mukirana começamos também a visitar empresas para vender a idéia. Fechamos negócio com algumas, entre elas, a Nandi Confecções e o Lojão Vitória, ambas de Tubarão e ambas já clientes Tecmedia. Falando em primeiros clientes, a Transzape Transportes Rodoviários também foi um dos primeiros clientes de nossa empresa, lá no início de tudo.

Bem, voltando ao assunto, o portal contemplava áreas para busca de empresas, produtos, serviços, colunistas, notícias, dicas, receitas, entre outras “coisas” (imaginem manter tudo isso sem banco de dados).

Como comentei, conseguimos alguns clientes, alguns colunistas e “tocamos” o projeto durante um tempo. Depois disso, eu acabei desistindo do projeto, pois não tínhamos estrutura e nem demanda na nossa região para continuar.

O Mukirana aproveitou a idéia, criou outro site e manteve o projeto durante algum tempo. Não sei, ao certo, no que deu.

E nós da Tecmedia? Bola pra frente!

(1997) – Da Parati ao Fusca

Como as coisas não estavam muito boas, após o primeiro ano de empresa decidi(tive que) investir mais um pouco de dinheiro. Vendi uma Parati ano 84 bonitona que eu tinha e comprei um Fusca ano 1974, bem “baleado”.

Fusca adquirido em 1998

Fusca adquirido em 1997 ( A cor era verde escuro )

Mas, tudo bem, o que eu queria era continuar com a empresa. Peguei a grana e paguei algumas contas.

Mais ou menos nesta época, a Tecmedia começou a contar com a ajuda de dois estagiários. Os dois eram meus primos.

Um deles era o Erlon Cachoeira (in memoriam) e o outro era o Ricardo A. Duarte.

O Erlon foi um dia no escritório e levou o seu computador para eu consertar algo, não me lembro o que era. Quando mostrei pra ele os códigos e softwares que eu utilizava para criar os sites, ele ficou encantado e decidiu na mesma hora trabalhar comigo. Ele nem levou o computador de volta pra casa.

Consegui mais uma mesa, cadeira e aloquei ele na pequena sala de 16 metros quadrados. Deste dia em diante, fui transferindo o conhecimento que eu havia adquirido para ele. Detalhe: eu não tinha dinheiro para pagar salário, então, ele trabalhava apenas pelo conhecimento.

Já com o Ricardo, a história foi um pouco diferente. Na verdade, o pai dele é meu primo de primeiro grau.

Em uma conversa durante uma reunião de família, tocamos no assunto da empresa e ele perguntou se eu não estava precisando de mais um estagiário para trabalhar comigo. Eu fui sincero e disse que as coisas não estavam muito boas e que não teria condições de pagar uma pessoa.

Ele disse não haver problema, pois o objetivo era que o Ricardo adquirisse mais conhecimento e entrasse no mercado de trabalho. Então, vamos lá! Chamei o Ricardo, mostrei o serviço e ele também ficou bastante interessado no que fazíamos.

Como não podia ser diferente, ele trouxe o computador de casa e conseguimos mais uma mesa e cadeira. Ficamos os três “debulhando” o FrontPage.

Agora a Tecmedia já possuia três colaboradores!

Obs.: Entre algumas idas e vindas, o Ricardo é hoje o responsável pelo departamento técnico na Tecmedia.

(1997) – O pontapé inicial

Com experiência nas áreas de mecânica industrial, eletro-eletrônica, hardware e redes de computadores e quase nada de conhecimento na área de desenvolvimento web, constitui, juntamente com um amigo, a Tecmedia Internet Design Ltda em 02 de fevereiro de 1997.

Nesta época, eu estava no 9° semestre do curso de Ciência da Computação pela Unisul (www.unisul.br). E também tinha acabado de me desligar de uma empresa onde eu trabalhava com assistência técnica em computadores e redes.

Decidimos pelo ramo e pela abertura da empresa por se tratar de um tema relativamente novo no mercado brasileiro e, a princípio, promissor. “A princípio”, pois não foi bem isso que aconteceu nos primeiros anos de atividade da empresa.

A primeira placa criada para a empresa ainda existe!

A primeira placa criada para a empresa ainda existe!

O meu atual amigo e ex-sócio se chama Fabiano Albino da Silva, vulgo Bial. Visionário e muito inteligente, ele batalhou junto comigo neste início. Após 1 ano de empresa, achamos melhor desfazer a sociedade. O motivo do fim da sociedade? Algo parecido com “incompatibilidade de visão sobre o negócio”.

Não foi nem questão de quem estava certo ou quem estava errado, e sim, simplesmente, pensar diferente neste aspecto específico.

Neste momento, ficamos somente eu e Deus na empresa.

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