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Afinal, editor pra quê?

22/10/2008

Você já viu engenheiro dirigindo revista? Ou jornalista projetando edifício? A Comunicação é uma disciplina consolidada no mercado, mas muitos ainda acham que ela não é fundamental em portais corporativos. Será?

Depois dos meus primeiros artigos, recebi algumas mensagens questionando a necessidade de um gestor de conteúdo à frente de um site ou intranet. Uns defendem a total descentralização, incluindo a criação e publicação de conteúdo; outros preferem atribuir essas atividades a outros perfis, como gerentes de projeto.

 

Críticas assim são muito bem-vindas, porque enriquecem o debate e demonstram que o mercado está interessado no assunto.  Então, vamos lá: por que um site precisa da coordenação de um editor? A resposta se baseia nas seguintes premissas:

 

  • Todo site ou intranet é (também) um veículo de comunicação. É claro que isso não invalida todas as outras características e aplicações de um portal corporativo, mas estamos falando, sim, de uma publicação – e toda publicação precisa de um editor, certo?
  • Os departamentos são naturalmente egoístas em qualquer organização, e isso não é novidade para ninguém. A intenção aqui não é criticar a forma como as empresas funcionam, mas ser realista: alguém precisa ter visão global e jogo de cintura para articular ações com os clientes internos, que estão ali “cuidando do seu”.
  • Programadores sabem programar, comunicadores sabem comunicar. Essa é uma das piores frases que eu já escrevi, mas me dê uma chance para explicar... :-) Cada um tem a sua expertise, embora muita gente se esqueça de algo tão óbvio. Profissionais de vendas, TI, RH e outras áreas geralmente não levam jeito para planejar, criar e gerenciar conteúdo. Não é a praia deles. Opa... mas é a do editor.

 

Todos os outros argumentos são filhotes desses três conceitos. Se você perceber que eles fazem sentido, o resto é conseqüência natural. Não é uma questão de hierarquia (“Comunicação manda nas gerências de negócios, que mandam em TI”), e sim de lógica (“Comunicação coordena o conteúdo, áreas de negócios gerenciam produtos e TI viabiliza tudo isso”). Precisamos ser lógicos na distribuição de funções e responsabilidades, enxergando além das velhas disputas de poder. É uma meta ousada, mas vale a pena tentar!

 

Voltando ao editor – ou gestor de conteúdo, tanto faz – podemos dizer que ele é a figura mais indicada para equilibrar as forças da organização no ambiente web. Soou um pouco “Jedi”, não é? Mas as tais forças, em geral divergentes, representam o viés de cada área envolvida na administração do portal. Clientes internos, parceiros e fornecedores têm seus próprios interesses e prioridades. Sem alguém no meio, focado no melhor resultado para o cliente e a empresa como um todo, essas forças podem transformar o portal em uma colcha de retalhos.

 

Para ilustrar esse conflito, vejamos posições típicas de algumas áreas. Mas atenção: as frases abaixo são uma generalização, quase uma caricatura, para ajudar a explicar o conceito do editor como “guardião do portal”. Sem ressentimentos, combinado?

 

Área comercial

 

  • “Bota essa promoção numa pop-up, logo na home page!”
  • “Esse negócio de opt-in é frescura. Vamos incluir os clientes automaticamente no mailing.”
  • “Esse texto tem que ser mais agressivo, deixa eu escrever aqui como vai ficar.”
  • “O Jurídico ainda não validou, mas vai em frente... vai dar tudo certo!”

 

Agência web

 

  • “A gente usou a última versão do Flash porque a animação é muito melhor. Os usuários vão saber baixar a atualização, não se preocupe!”
  • “A gente diminuiu a chamada de venda para a ilustração respirar melhor, porque ela passa totalmente o conceito do produto.”
  • “O redator novo que entrou está fazendo aquele texto, mas ele só tem uma dúvida: qual é o negócio de vocês mesmo?”

 

TI

 

  • “Essa ferramenta tem tudo o que você precisa. Qualquer coisa, a gente customiza depois.”
  • “A interface vai ter que ficar assim, porque o nosso contrato com o fornecedor não inclui customização. Mas vocês podem mudar a logomarca e a cor dos botões.”
  • “Nós fizemos as alterações de prioridade 3 antes, porque elas eram mais rápidas.”
  • “Não dá para fazer.”

 

Deu para pegar o espírito da coisa?

Autor: Daniel Aisenberg


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