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04/11/2009
A lógica de consumo de conteúdo já está mudando. Antes a preocupação era classificar e filtrar veículos, blogs etc. Agora fazemos isso com as pessoas.
Para 2010 não se fala em nenhuma ferramenta tecnológica inovadora que venha competir com o Twitter ou o Facebook. Tudo o que existe continuará existindo e a gangorra das novas tecnologias de comunicação levará ascensão e queda para uns e outros.
Qual será a grande inovação?O que se fala a respeito de 2010 é sobre a forma como nós vamos consumir conteúdo. Os filtros, o RSS, o RFID, os serviços de assinaturas curados, as marcas oferecendo conteúdo de utilidade e a possibilidade de um controle efetivo do conteúdo nas redes sociais são indícios que mostram que vamos continuar consumindo conteúdo excessivamente, mas que poderemos definitivamente escolher o que consumir.
O conceito de listas que o Twitter publicou é uma forma de filtrar o conteúdo por perfil dos microblogueiros. Depois de tanto tempo já podemos "separar", ou talvez seja melhor usar "classificar", essas interações. Poderemos criar listas como "bomdiaboatardeboanoite" para as pessoas que contam em detalhes (muitas vezes até desnecessários) o que fizeram durante o tempo em que estiveram acordadas. Outra lista boa é "sólinks" praqueles que só mandam um link, sem mais nada, pra gente adivinhar o que tem dentro e explodir o computador cinco segundos depois. Teremos listas para "microcelebridades": aquelas que têm um montão de seguidores e tem que ficar falando qualquer coisa (lembra do fala demais por não ter nada a dizer) só pra manter o status. Ah... vai ter lista pra tudo, dá pra brincar muito com o assunto.
Algumas horas depois que apareceram as listas eu já estava em cinco, duas delas eu mesma criei. Justamente porque tem momentos em que a barra do twitbin não para de piscar, desviando totalmente minha atenção (e olha que sou concentrada, viu?). Dá até uma rima pobre, já que a onda é fazer jingles: agora vou acompanhar o que realmente interessa a mim, quiçá até acabar com o pinga-pinga do twitbin.
Com as listas, o Twitter - que inaugurou e instaurou novos códigos e dinâmicas comunicacionais - continua inovando. Agora não filtramos por conteúdo, filtramos por pessoa. O que faz todo sentido: se todos somos produtores de conteúdo, se todos podemos nos comunicar com abundância e velocidade nos dias de hoje, então não vamos mais apenas escolher entre veículos (Folha e Estadão, Globo e JB, Ig ou G1, Limão e Globo.com). Vamos filtrar e escolher produtores de conteúdo de acordo com nossos perfis de interesse. Um formato peculiar de consumo. Lógico.
Enquanto preparei este artigo 274 bebês nasceram na China e aqui na minha tela subiram 398 tuites, baixaram 23 e-mails e a barrinha amarela do MSN tá piscando com o número 4. Viva a Cultura da Informação. Ou do Excesso, como você preferir, querido leitor. Que nos proteja o Twitter!
Autor: Ana Amélia Erthal
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