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06/01/2010
Confira algumas "previsões" para o promissor mercado web brasileiro em 2010.
Quando, em 1984, foi lançado o filme "2010. O ano em que faremos contato", seus produtores achavam que 2010 estava muito longe. No entanto, 2010, agora, chegou.Arthur Clarke, autor da obra escrita em 1982 e
que posteriormente deu origem ao filme, acertou em cheio em dar à
tecnologia o papel de protagonista do filme. Assim como no filme, a
tecnologia tem definido nossos rumos tanto no presente quanto no futuro.
Tecnologia atualmente passa pelo ambiente interativo.
Prever
os acontecimentos na área de tecnologia interativa é tarefa para
"Gatners" e "Popcorns". Vou dar uma humilde contribuição com a minha
visão de mercado. Vamos falar um pouco de como deverá ser a web em 2010
no Brasil.
Lá vamos nós com a nossa seção anual "mãe Dináh".
2009
foi um ano marcado pela crise e pela (re)descoberta do Brasil por parte
dos países que ainda achavam que a nossa capital era Buenos Aires. O
fato de a crise não ter abalado tanto nosso país nos mostrou que somos
mais fortes do que parecemos. Um pouco do nosso complexo de vira-lata
se perdeu ao longo do ano.
A demanda reprimida, os IPOs adiados
e os investimentos abafados deverão explodir em 2010. Ponto positivo
para as empresas que tiverem se posicionado corretamente ao longo de
2009. A web deverá ganhar boa parte dessa verba, principalmente devido
a sua capacidade de mensuração. A exigência por resultados por parte
dos acionistas estará cada vez mais acirrada no pós-crise e a web tem
uma capacidade natural para tal.
É lógico que os anunciantes
procurarão os fornecedores que se mostrarem mais profissionais no
quesito mensuração, já que o mercado está cansando de posturas
amadoras. A pressão por prazos e resultados estará cada vez mais em
pauta.
A entrada de grupos internacionais no Brasil irá se
intensificar e mais fusões e aquisições serão realizadas ao longo de
2010. Veremos uma solidificação dessa tendência. Isso irá gerar muitos
novos empreendedores digitais com olhos para esse mercado nos próximos
anos.
O Brasil deve desenvolver cada vez o empreendedorismo
digital e acredito que nos próximos anos deverá se destacar nesse tema,
principalmente com o empreendedorismo invadindo as escolas e sendo o
brasileiro o povo que mais navega na web dentre todos os povos do mundo.
A
escolha do país para sediar uma Copa e uma Olimpíada pegou o mundo de
surpresa. Para muitas empresas, essa ficha ainda não caiu (um
comentário que denuncia minha idade analógica).
É importante
perceber que 2010 será o início de uma curva ascendente do Brasil rumo
a esses grandes eventos tanto no "online" quanto no "offline". As
empresas que pegarem carona na preparação desses eventos poderão
crescer muito, inclusive com gordos incentivos do governo.
Empresas
ligadas ao segmento de turismo, treinamentos em hotelaria, construção
civil e ensino de idiomas poderão ter grandes saltos a partir de 2010.
A internet, sendo um ambiente global, privilegiará negócios que gerem
receita vendendo informações via web para todo o mundo.
2010
também será o ano das eleições 2.0. Não acredito que será nessas
eleições que os políticos aprenderão a utilizar a internet de modo
eficaz. Se as empresas ainda não sabem, não serão os políticos - essa
velha guarda matreira ? que mudarão esse quadro.
Provavelmente
algum político terá um case "melhorzinho" e ganhará a mídia, mas não
será a regra. A estratégia será gerar mídia espontânea pela inovação
sobre seu uso, mas não necessariamente sobre o resultado alcançado.
Talvez o ilustre político digital, hoje desconhecido, tenha mais
resultado para cargos menos disputados nas eleições de 2012 - as
"eleições do fim do mundo".
Não repetiremos um "case Obama" aqui pelo Brasil, pelo menos, não por enquanto.
O
mercado de e-book readers no Brasil começará, mas não decolará. O valor
do Kindle ainda é proibitivo para a maioria da população, mas já
atingirá os "early adopters". Se alguma política pública ajudar, talvez
o e-book reader "pegue no tranco", mas isso só no ano que vem -
pós-eleição. Vejo que o caminho para as eleições 2.0 passa por redes
sociais.
Empresas de web que focarem nos segmentos de futebol,
devido à Copa, e no de eleições ganharão tráfego naturalmente e poderão
se monetizar por conta desses eventos.
Os investimentos em
web, sem dúvida, aumentarão e exigirão profissionais mais capacitados.
Talvez em 2010 as faculdades comecem a pensar em incluir o marketing
digital em sua grade de forma definitiva, mas isso lá para 2011 ou
2012. Essa lacuna será cada vez mais preenchida por cursos livres de
empresas e consultores.
O comércio eletrônico continuará
crescendo e, com o aumento da violência, o enclausuramento das pessoas
em suas casas e as vendas de computadores para a classe C, não dará
sinais de arrefecimento. A nova holding do grupo Pão de Açúcar e a B2W
ajudarão na solidificação do segmento.
Enfim, 2010 promete, mas
não será a panacéia digital. Vamos conter nossos ânimos e continuar
crescendo a dois dígitos percentuais, que já é bem melhor do que as
promessas de crescimento para o país.
Autor: Conrado Adolpho
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